ELES SABIAM QUE PAGAVAM MUITO IMPOSTO. MAS NÃO TANTO.

Mesmo profissionais que lidam com números e com a legislação tributária impressionaram-se com a mordida do Fisco.

Fonte: Diário do Comércio, 03.12.2004

Advogados, economistas, contadores e engenheiros. Eles lidam diariamente com números e alguns acompanham a evolução dos tributos, mas não tinham a noção exata de quanto perdiam com impostos no que têm, ganham e consomem. A constatação de que a carga é realmente insuportável pôde ser feita por meio da Calculadora do Imposto, lançada nesta quarta-feira pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A ferramenta, desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), pode ser acessada pelo www.contribuintecidadao.org.br .

Para o diretor da consultoria BPI do Brasil e presidente do Instituto Amigos do Emprego, o engenheiro Gilberto Guimarães, "a calculadora é genial por desmascarar a carga tributária que incide sobre a nossa remuneração". Ele, que já estimava que 50% do seu salário ia para o governo, pôde constatar o fato ontem pelo portal.

Na opinião do assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP), Constantino de Bastos Júnior, a iniciativa alerta a população e mostra que ela não paga somente Imposto de Renda, IPTU ou IPVA. "As pessoas não se atentam ao sacrifício pelo qual passam ao não saber qual a carga de tributos embutida em produtos e serviços consumidos", disse.

Ele lembrou que a iniciativa tem o mesmo mote de outras das quais o Sescon participa, como o Feirão do Imposto, que mostra a carga embutida em vários produtos, e a campanha "Carga Tributária Chega de Abuso", que traz peças publicitárias em outdoors e televisão. "Mas com um diferencial importante: a abrangência é maior e faz com que a população se mexa."

A sugestão de uma emenda de iniciativa popular para que haja um limite para a carga tributária, lançada pelo jurista Ives Gandra Martins, foi considerada maravilhosa por Constantino. "Chegou um ponto em que todos devem fazer algo. Isso não deve se restringir a um grupo pequeno", afirmou.

O consultor tributário da empresa Caminho Legal, o advogado André Monteiro Kapritchkoff, concorda com Constantino. Para ele, ao mostrar insatisfação e desejo de mudar, o povo tem mais força para reivindicar a redução da carga tributária. Mas, para isso, a população precisa estar consciente.

Além de conscientizar, a Calculadora do Imposto choca, na opinião do contador Pedro Fabri, da Flaumar Assessoria Empresarial. Embora trabalhe diariamente com tributos, ele se assustou ao verificar no portal que 53% de sua remuneração é para pagar impostos. "Até há algum tempo, o brasileiro escolhia entre duas opções: aceitar passivamente ou parar de pagar e ir para a informalidade", afirmou Fabri. Mas, agora, ele está confiante de que o povo começa a discutir a questão e o movimento de mudanças iniciado pelos grandes empresários começa a ganhar força. Alguns comerciantes já usam a tabela do Feirão do Imposto para montar os seus próprios feirões. "Temos uma nova opção: protestar para não trabalhar na ilegalidade", disse.


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