SONEGAÇÃO x CORRUPÇÃO

Júlio César Zanluca - 09.08.2005

Tudo funciona como se o Estado estivesse suficiente­mente arrependido para contratar um crítico dos seus pecados, mas insuficientemente arrependido para interromper por um instante sequer os seus atos pecaminosos - Henry David Thoreau. 

Acuado por denúncias de gravíssimas corrupções da cúpula executiva, Lula afirma que desconhecia os esquemas. Ora, se como evidenciado, milhões de reais foram extorquidos do erário público nas barbas do seu chefe-maior, então conclui-se que Lula é incompetente para administrar uma Nação ou foi conivente com os crimes praticados. Que moral tem um líder deste tipo em reivindicar ser um exemplo de ética?

O governo federal, ao invés de expurgar suas culpas, admitir o fracasso em liderar a Nação para o crescimento econômico e reduzir seu gigantismo, está articulando sua desesperada defesa, através de estratagemas de “blindagem do presidente” e “expurgos de culpados”.

Neste cenário, observa-se ainda um espezinhamento contínuo do governo contra os contribuintes – fatos nem sempre narrados com exatidão pela imprensa:

- A criação da Receita Federal do Brasil (já apelidada de "Super Receita"), órgão que englobará Receita Federal e INSS, certamente com fins de aumentar a arrecadação e aterrorizar ainda mais os contribuintes – com a concentração de poder fiscalizatório.

- Procurando intimidar possíveis sonegadores, Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público promovem prisões cinematográficas de empresários, diretores e funcionários de grupos empresariais que supostamente haviam cometido crimes tributários (não houve qualquer sentença ou julgamento nestes episódios). Pior: a Polícia Federal manifestou-se publicamente, afirmando que tais atos continuarão a serem executados (bem ao estilo dos expurgos de regimes totalitários...).

- Abandonou-se a discussão sobre uma possível reforma tributária, e o país está paralisado à espera que os congressistas terminem o espetáculo das diversas CPIs instaladas. 

- Mensalmente, a Receita Federal divulga recordes de arrecadação, evidenciando a espoliação crescente do contribuinte. 

Em contra-partida, informalmente, observa-se o aumento da disposição em sonegar, pois muitos contribuintes, revoltados diante da onda de corrupção governamental, mantém o pensamento que “pagar imposto é sustentar esta corja que governa”. 

A escala do conflito não é interessante para a Nação, e denota a gravidade política e institucional existente no Brasil. 

Presidente Lula: tenha mais humildade, e pare de elogiar-se – comece demonstrando seu arrependimento (se é que você o tem) cortando gastos, diminuindo a taxa de juros e reduzindo tributos para pequenas empresas.

Contribuinte: sonegar até pode ser uma reação normal ao quadro político atual, mas implica em aumentar sua vulnerabilidade – para quê copiar os que os políticos fazem (caixa 2 amplo e irrestrito)?


Tributação  |  Planejamento Tributário  |  Tributos no Brasil  |  Legislação  |  Publicações Fiscais
  Dicas  |  100 Idéias  |  Guia Fiscal  |  Boletim Fiscal  |  Eventos  |   Glossário  |  Softwares  |  RIR RIPIRPSICMS  |  IRPJ  | Simples Federal  |  PIS e COFINSCooperativas  |  Modelos de Contratos  | Modelos de Planilhas  | 
Recursos Humanos | Cooperativismo | Pesquisa Trabalhista

  Contencioso | Jurisprudência | Artigos | Custos | Fisco | Torne-se Parceiro | Contabilidade  | Guia Trabalhista