LEÃO FAMINTO E RAPOSA PREGUIÇOSA
Por Antonio Marangon* - DCI - 01.09.2005
Falar em serviço público de qualidade, tratando-se dos órgãos
governamentais brasileiros, no que se refere às Receitas Federal e
Previdenciária, é fugir da realidade e cair em contradição, já que os serviços
prestados ao contribuinte estão longe de ser classificados como ideais e
eficientes.
Para chegar a esta conclusão não é necessário ser um profundo estudioso do
assunto. Basta o contribuinte precisar de um serviço simples e básico, como a
solicitação de um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), por exemplo, que
leva em média cinco dias. E quando há greve? Dá para imaginar os transtornos que
esses problemas podem gerar para o empresário?
O Sescon-SP fez uma pesquisa com cerca de 400 empresas associadas do segmento
contábil, de assessoramento, perícias, informações e pesquisas no Estado de São
Paulo, tendo como objetivo contribuir para a melhoria das operações da
Administração Tributária. Como resultado, foram apontadas as principais
dificuldades encontradas nos serviços da Receita Federal e também algumas
soluções para sanar as falhas existentes.
Entre as mais citadas estão: 1-Existência de filas e distribuição de senhas,
2-Dificuldades de acesso ao sistema de conta-corrente, limitação do horário de
atendimento ao contribuinte, ausência/dificuldades em relação a
esclarecimentos/orientações; 3-Dificuldades nos procedimentos para obtenção da
Certidão Negativa e Débito (CND), dificuldades nos procedimentos para a baixa no
CNPJ.
Já na Previdência a situação não é diferente: a lentidão no processo de emissão
da Certidão no INSS emperra o trabalho das empresas. Este serviço no balcão de
atendimento de uma das agências da Previdência Social pode levar de 10 a 20
dias, apresentando GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à
Previdência), guias de recolhimento e muitas notas fiscais e efetuando inúmeros
telefonemas. Mesmo que a empresa prestadora de serviços esteja em dia com os
seus recolhimentos, poderá não conseguir a Certidão do INSS, que reconhece a sua
regularidade.
Diante desta situação, os empresários perdem concorrências e deixam de receber
faturas, o que provoca atraso nos salários. No fim, a empresa ainda precisa
enfrentar barreiras para recorrer a empréstimos. Uma divergência pode ainda
permanecer no aludido relatório sempre que seja efetuado um novo pedido de
certidão, ou seja, a empresa estará fadada, periodicamente, a apresentar o mesmo
dossiê de documentos, explicar o motivo da divergência mais uma vez, explanar o
fato a outro atendente e ter de aguardar mais 10, 15, 20... dias.
Conclui-se que o leão (Receita) poderá engolir a raposa (Previdência). Mas como?
Com a criação da Receita Federal do Brasil, mais conhecida como a Super-Receita,
a união dos órgãos trará nada mais, nada menos que outras dificuldades no
cumprimento das obrigações. Se não houver mais investimentos na qualificação dos
servidores, não adiantará em nada todo o esforço para criar este novo órgão.
Esperamos que a burocracia existente diminua com a racionalização das obrigações
acessórias exigidas. Acreditamos que o Leão passe a não abocanhar tanto os
lucros das empresas e que a Raposa seja mais cautelosa com seus gastos e
eficiente na sua administração.
*Antonio Marangon é presidente do Sescon-SP
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