Instrução Normativa SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004
DOU de 8.10.2004
Dispõe sobre a isenção do imposto de renda e de contribuições aplicável às instituições que aderirem ao Programa Universidade para Todos.
O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe
confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita
Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em
vista o disposto na Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004,
resolve:
Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem
fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos
(Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará
isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e
imposto:
I - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
II - Contribuição para o PIS/Pasep;
III - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); e
IV - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
§ 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos
incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I
e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de
cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica.
§ 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino
deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais
recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de
renda.
Art. 2º Considera-se lucro da exploração de que trata o § 2º do art. 1º o lucro
líquido do período de apuração, antes de deduzida a provisão para a CSLL e a
provisão para o imposto de renda, ajustado pela exclusão dos seguintes valores:
I - da parte das receitas financeiras que exceder às despesas financeiras;
II - dos rendimentos e prejuízos das participações societárias;
III - dos resultados não-operacionais; e
IV - do valor baixado de reserva de reavaliação, nos casos em que o valor
realizado dos bens objeto da reavaliação tenha sido registrado como custo ou
despesa operacional e a baixa da reserva tenha sido efetuada em contrapartida à
conta de:
a) receita não-operacional; ou
b) patrimônio líquido, não computada no resultado do mesmo período de apuração.
Parágrafo único. As variações monetárias serão consideradas, para efeito de
cálculo do lucro da exploração, como receitas ou despesas financeiras, conforme
o caso.
Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em
sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas,
custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades
sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades.
Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela
instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do
lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na
relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida
total.
Art. 4o A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem
assim a falta de emissão de notas fiscais, acarretarão à pessoa jurídica
infratora a perda, no ano-calendário correspondente, ao benefício da isenção de
que trata o art. 1o.
Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou
benefício fiscal, relativo às contribuições e imposto de que trata o art. 1o,
fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, da regular quitação dos
mesmos.
Art. 5o Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção
das contribuições e do imposto de que trata o art. 1º dar-se-á a partir da data
da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de
apuração do imposto ou das contribuições.
§ 1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está
observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na
legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na
qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando
inclusive a data da ocorrência da infração.
§ 2º A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência
da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias.
§ 3º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações,
expedindo o ato declaratório suspensivo da isenção, no caso de improcedência,
dando, de sua decisão, ciência à instituição.
§ 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no
§ 2º sem qualquer manifestação da instituição.
§ 5º Efetivada a suspensão da isenção:
I - a instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar
impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da
Receita Federal de Julgamento competente;
II - a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o
caso, com a exigência do crédito tributário desde a data da ocorrência da falta
que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27
de dezembro de 1996, e de juros de mora.
§ 6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas
reguladoras do processo administrativo fiscal.
§ 7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito
suspensivo em relação ao ato declaratório contestado.
§ 8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato
declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um
único processo, para serem decididas simultaneamente.
§ 9º O disposto no caput deste artigo aplica-se, também, na hipótese de
desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da
Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de
adesão.
Art. 6º Na hipótese de desvinculação do Prouni por solicitação da instituição
privada de ensino, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que
trata o art. 1º dar-se-á a partir da data da solicitação de desvinculação,
alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições.
Art. 7º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
JORGE ANTÔNIO DEHER RACHID
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