NÃO TRANSIJAM

Sandra Silva - 15.10.2007 

Apesar dos apelos de marketing construídos pelo governo o país atravessa grandes e graves problemas estruturais, éticos e morais.

 

A cada dia mais e mais denúncias literalmente entopem os noticiários passando ao conhecimento dos brasileiros escabrosas falcatruas originadas no cerne do governo e do parlamento.

 

A Câmara Baixa tem sido fiel aos negócios feitos com o executivo. Mas não é leal com seus eleitores apostando que dentro de três anos nenhum deles vai lembrar quem votou contra ou a favor da CPMF.

 

Dizem os que a defendem que há tributação mais pesada do que os míseros 0,38% que ela representa. Estão corretos de alguma forma, mas não totalmente porque a contribuição é paga enquanto o cidadão tiver um tostão em sua conta bancária.

 

Quanto aos outros tributos, igualmente satânicos, tome-se as alíquotas do imposto de renda sobre os salários. Percentuais extremamente distorcidos, mas não há parlamentar que proponha uma divisão mais equânime. Como o povo poderá poupar com carga tributária dessa estatura?

 

Os governantes fazem cantilenas de suas administrações porque têm recursos. Provenientes de quem? Quando o caixa do tesouro emagrece, o que fazem? Sempre é a sociedade a chamada para recompor os gastos desenfreados. Más gestões, administrações espúrias e dissipadoras, obras megalômanas, estruturas inacabadas, enfim, distorções e desperdícios com conseqüente pífio crescimento.

 

Transações financeiras estão impostas praticamente a todos. Portanto a CPMF é um ancinho devastador. Façamos os cálculos do que representa essa contribuição em um ano de movimentação financeira, por menor que seja, e nos depararemos com um forno com 360º de calor a consumir nossos devassados salários.

 

As pessoas continuam vivendo e batalhando. Fazendo o melhor que podem, mas estão profundamente desesperançadas com os governantes. Poucos restam que ainda têm fé na honestidade daqueles que se imiscuem na política. A maioria dos cidadãos aponta como ineptos e safados todos os que abraçam a área política. Seja no nível municipal, estadual ou federal. E ambos os gêneros.

 

Essa desesperança pode se tornar significativamente negativa nos próximos pleitos quando a sociedade, exaurida pelas torpezas, opte por desqualificar o voto tornando-o nulo.

 

Ao Senado brasileiro também caberá uma votação para a CPMF. Desgastado pelos sucessivos escândalos e votações incoerentes quando não infantis, têm nas mãos os ilustres senadores, a oportunidade de dizerem a que vieram.

 

Votar contra ou a favor da contribuição ou qualquer outra medida não deveria ser um jogo. Infelizmente assim tem sido. Medem-se forças, mas não se mede o peso das agruras do povo. Dizer que sem esse reforço arrecadatório o país perderá sua impulsividade para o crescimento é uma vilania. Aliás, sempre é bom lembrar que ao ser instituída a contribuição era específica para a área da saúde. Não atingiu seu objeto, portanto, não tem razão para permanecer.

 

A Câmara Federal foi condescendente com a contribuição com soberana maioria votando por sua permanência. Aguardemos o Senado. Transigirão também os ilibados senadores?

E-mail: sandrasilva33@yahoo.com.br 


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