DEZENAS DE NORMAS TRIBUTÁRIAS POR DIA!
Equipe Portal Tributário
"Simplesmente, um caos". É assim que define o nosso
Coordenador Técnico, Júlio César Zanluca, a legislação fiscal e tributária no
Brasil. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT), em média são editadas no País 37 normas tributárias por dia, ou
1,57 norma tributária por hora. A média vem sendo mantida desde a promulgação da
Constituição, em outubro de 1988. De lá para cá, já foram editadas mais de 3
milhões
normas para reger a vida dos cidadãos brasileiros.
Para se manter atualizado, Zanluca estima que um contabilista deve ler as novas
normas em média 2 horas por dia. Isto quando não há edição de legislações
especiais, como a
Lei 11.638/2007, que reformou a Lei das S/A na parte contábil,
que exigem desdobramentos e treinamento específicos da equipe que cuida das
rotinas. Além dos atos
tributários, o profissional precisa acompanhar outros atos legais, como normas
contábeis (CVM, Banco Central), previdenciárias e trabalhistas, que interferem no dia-a-dia das empresas e contribuintes.
A legislação mais caótica é a do ICMS. São 27 diferentes legislações no país (1
para cada estado e Distrito Federal). Mas o ISS também não perde em
complexidade, já que cada município pode legislar de forma diferente sobre este
imposto, alterando alíquotas e impondo obrigações acessórias.
Além dos fiscos estaduais e municipais, o governo federal
também impõe as contribuintes uma avalancha de obrigações - como declarações
eletrônicas - DSPJ, DCTF, DACON, DIMOB, etc. Somente a Receita Federal do Brasil
(RFB) edita em torno de 30 normas a cada mês.
O maior problema hoje enfrentando pelos contribuintes é a legislação sobre o
ICMS - Substituição Tributária. São centenas de mudanças todo ano, com inclusão
de produtos que devem ser tributados na origem, por antecipação. O problema é
que a maioria das normas tem aplicação quase que imediata. Primeiramente, o profissional responsável precisa ler e
entender o que é exigido do contribuinte. Depois, precisa transmitir tais
informações, de forma prática, para as pessoas que lidam com faturamento,
cobrança, pagamentos e apuração de tributos. Isto leva tempo, tem um custo
enorme, e nem sempre é feito de forma adequada.
Uma reforma tributária que simplificasse as obrigações seria uma solução, a médio prazo. A curto prazo, as empresas e profissionais precisam adotar um acompanhamento regular da legislação, e determinar responsáveis para aplicação das normas.
As multas, para quem não se adequar, são pesadíssimas, chegando a 75% do imposto não recolhido, além de juros. "Em matéria tributária, ninguém pode brincar, os governos só têm um interesse: arrecadar. Para isso, lançam mão de leis, decretos, normas, atos, regulamentos, etc. sem se importar com as consequências e as dificuldades que os contribuintes terão", afirma Zanluca.
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